Diante da identificação de uma nova variante de HIV nos estados do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Bahia, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), tem intensificado o monitoramento de casos da doença em Sergipe. Com o programa IST/Aids, a SES tem levado à população diversas orientações e testes rápidos de HIV, sífilis e hepatites virais B e C para a detecção precoce de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) nos municípios sergipanos.
O Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) é o causador da Aids (sigla em inglês para Síndrome da Imunodeficiência Adquirida). O HIV ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças. Geralmente, a infecção do HIV não apresenta sintomas, e as manifestações podem se dar na fase avançada, quando é feito o diagnóstico da Aids.
De acordo com a referência técnica do programa IST/Aids da SES, Almir Santana, a secretaria já desenvolve um trabalho de orientação às pessoas que vivem com o HIV, para a possibilidade de surgimento de novos subtipos do vírus. “Existem dois tipos de HIV, o HIV-1 e o HIV-2. O HIV-1 é o principal tipo disseminado no país, mas que sofreu algumas mutações e já possui subtipos como A, B e C. Quando duas pessoas com o vírus se relacionam sem preservativo, há uma possibilidade do HIV recombinar com o vírus do outro, ocasionando a troca de material genético. Outro motivo é quando duas pessoas com HIV se relacionam sem preservativo, podendo aumentar a carga viral do outro”, explicou o médico.

A transmissão do HIV pode acontecer via sexo oral, vaginal e anal sem o uso de camisinha; por compartilhamento de seringas e agulhas com sangue infectado; por meio de acidente ocupacional com material biológico de risco; recepção de sangue infectado; para o bebê durante a gestação, parto ou amamentação.
Prevenção
Outro ponto a ser destacado é a importância do uso de preservativos durante as relações sexuais, como forma de prevenção eficiente e segura das doenças sexualmente transmissíveis, onde são ofertados gratuitamente em todas as ações do programa IST/Aids da SES para a população e disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Além disso, a outra maneira de prevenção é a combinada como a Profilaxia Pré-Exposição (PreP) e Pós-Exposição (PeP). A PreP é o uso preventivo de medicamentos antes da exposição ao vírus do HIV, reduzindo a probabilidade da pessoa se infectar com o vírus e deve ser utilizada pela pessoa que se encontra em situação de elevado risco de infecção, por não utilizarem o preservativo nas relações sexuais.
Já a PEP, é destinada a pessoas não infectadas, em caso de exposição ao risco de infecção pelo HIV, diante de uma falha na prevenção, por exemplo, rompimento do preservativo ou não uso dele e também nos casos de acidentes com material biológico como instrumentos perfurocortantes.

Testes rápidos
A unidade móvel ‘Fique Sabendo’ está presente em diversas ações que levam saúde para a população. Um dos exemplos é a ação itinerante ‘Sergipe é aqui’, que facilita o acesso aos serviços da saúde para municípios sergipanos, entre eles os testes rápidos de HIV, sífilis e hepatites virais B e C.
Monkeypox teremos uma nova pandemia?
Para responder essa pergunta precisa-mos ter clareza de algumas coisas: Mpox é uma zoonose, uma doença causada por um vírus que passa de um animal não-humano para o humano e vice-versa. É uma doença endêmica, ou seja, que acontece, habitual-mente, na África há mais de 50 anos e é o mesmo vírus da mesma família da varíola humana – a única doença infecciosa que já foi erradicada na história.
Casos dessa doença fora da África eram bastante raros até os anos de 2022, quando essa história começou a mudar. De maneira inédita, casos fora da África começaram a ser notificados e a doença se espalhou com tamanha intensidade que a OMS chegou a declarar Emergência em Saúde Pública Global em julho de 2022.
Mas, conseguimos o controle dos casos no mundo e da manutenção das carac-terísticas do vírus e em maio de 2023, a emergência foi encerrada. Mas isso não quer dizer que a doença acabou. Na África, alguns dos países ainda continuaram sof-rendo com essa doença.
Os vírus causadores da Mpox são dividi-dos em clados, grupos do vírus que têm um ancestral em comum. No caso da Mpox, temos os clados I e Il. E em 2022, o cla-do que se espalhou pelo mundo foi o clado 2b. Hoje, infelizmente, o clado responsável pelo surto é o 1b, que é endêmico na África Central, mais agressivo e mais letal que o 2b. E esse é o grande problema.
Com isso, em 2022 – clado 2b: foram mais de 100 mil casos no mundo; 208 mortes; e o grupo mais atingido: homens que fazem sexo com homens. Em 2024, até agora – clado 1b: são 2863 casos na África; 517 mortes; população mais variada sendo atingida, incluindo crianças.
Mas e as vacinas? Existem, mas longe do número necessário. Na África, o CDC africano estima que seriam necessárias 10 milhões de doses de vacina. Mas, essa se-mana foram anunciadas doação de 275 mil doses. Nada perto do necessário. Já no Brasil, todas as doses adquiridas pelo Gov-erno Federal em 2022 foram distribuídas aos estados. Muitas até nem foram admin-istradas e perderam a validade.
E como está a situação da doença aqui no nosso país? Mantemos casos do clado 2b ainda do surto anterior, e ainda não temos nehum caso do clado 1b. Então, mesmo que em emergência de saúde, precisamos de atenção e não desespero.

