
Uma campanha relativamente nova, criada em 2021, com foco no cuidado com a saúde da mulher: o Setembro em Flor tem o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce dos tumores ginecológicos. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) prevê 704 mil novos casos de câncer para cada ano do triênio 2023-2025. Desse total, mais de 32 mil novos casos serão de tumores ginecológicos. Sobre o assunto, a oncologista Dra. Tathiane Oliveira concedeu uma entrevista à Saúde em Dia. Confira!

Saúde em Dia: Como apresentar a campanha Setembro em Flor para a sociedade?
Dra. Tathiane Oliveira: O Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA) é uma instituição sem fins lucrativos que tem por função promover o controle dos tumores ginecológicos por meio da educação. Integro o EVA há alguns anos e tive o prazer de levar o Setembro em Flor para unidades públicas no ano de 2023. A escolha da flor nessa campanha serve para representar, de forma lúdica, os cinco tumores ginecológicos: ovário, colo do útero, endométrio, vagina e vulva. Essa campanha tem alcance nacional, com envolvimento de médicos, sociedade e personalidades públicas que levam a mensagem da prevenção de forma acessível e simples. Em 2023, abordamos em Sergipe pacientes e acompanhantes para que eles fossem disseminadores do conteúdo que estávamos ensinando.
É impossível falarmos de saúde da mulher sem falarmos da prevenção do câncer de mama. O Setembro em Flor também vem somar às informações do Outubro Rosa?
Sim. O Outubro Rosa foi o movimento precursor para que nós, médicos, saíssemos do consultório para falar de saúde e prevenção com maior alcance para a sociedade. O Setembro em Flor vem reafirmar esse comportamento do médico junto à população, para falar, com uma linguagem simples, sobre como podemos buscar saúde.
Quando falamos em tumores ginecológicos, quais seriam esses tumores?
Dentre os cânceres ginecológicos, o mais prevalente no Brasil é o câncer do colo do útero, doença passível de prevenção e cura. Para 2024, a expectativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) é de 17 mil novos casos. Na sequência, o segundo mais frequente é o câncer de ovário, seguido dos cânceres de endométrio, vulva e vagina.
Podemos falar em prevenção para todos os tumores ginecológicos? Quais seriam as medidas preventivas?
Na sua maioria, sim. Naqueles em que não podemos falar em prevenção, devemos falar em diagnóstico precoce. Entre os principais pilares das medidas preventivas estão o exame ginecológico e a vacinação contra o HPV. Outros pontos importantes são evitar o sedentarismo e colocar em prática ações de combate à obesidade, pois estes estão implicados como causas de alguns cânceres, como o de endométrio. E, claro, ficar sempre atenta à história familiar de câncer e cessar o tabagismo. Se puder recomendar uma conduta segura, seria: tenha bons hábitos de vida e mantenha as consultas regulares com o ginecologista.
Todos os tumores ginecológicos apresentam sintomas? Quais os principais sinais de alerta para a saúde da mulher?
Nem todos. O câncer de ovário é, nas suas fases iniciais, silencioso e não provoca sintomas específicos. Daí a importância da consulta regular com o ginecologista. Mas gostaria de destacar alguns sintomas que podem sugerir alerta: sangramento vaginal anormal, corrimento vaginal anormal, dor pélvica, perda de peso, dor ou sangramento na relação sexual e aparecimento de lesões (por exemplo, feridas ou caroços) na região genital. Na presença desses sintomas, é imperativo procurar um ginecologista para uma avaliação.
Quando falamos no diagnóstico de um câncer ginecológico, há chances de cura? Os tratamentos sempre envolvem cirurgias e quimioterapia?
Sim, há chances de cura. Esses tumores, quando diagnosticados nas fases iniciais, são passíveis de cura e com baixa taxa de sequelas provocadas pelos tratamentos. Atualmente, tratamos os tumores ginecológicos com várias modalidades de terapia, como cirurgias, quimioterapia, radioterapia e terapias-alvo moleculares. Quanto mais precoce o diagnóstico, em geral, menor a necessidade de múltiplos tratamentos.
Por fim, qual a mensagem que a senhora gostaria de deixar para as mulheres, em especial para aquelas que receberam o diagnóstico de um câncer ginecológico?
Uma mensagem de ânimo e amor. Para as mulheres sem o diagnóstico, precisamos de motivação para seguir com bons hábitos de vida e manter as consultas e exames em dia. Para as mulheres com diagnóstico de câncer, peço que sejam resilientes e acreditem no êxito de seus tratamentos, pois avançamos muito na eficiência das terapias contra o câncer. E, para ambas: amem-se e cuidem-se!

