
Uma dúvida muito comum entre pessoas que sofrem de asma ou rinite é sobre o que seria menos prejudicial na hora de dormir: o ventilador ou o ar-condicionado? Segundo o médico otorrinolaringologista e professor universitário Dr. Daniel D’Ávila, o ar-condicionado, em geral, costuma ser uma escolha mais segura — desde que esteja devidamente higienizado.
“O ventilador, para ser realmente efetivo, precisa ter seu fluxo de ar direcionado para a pessoa, o que faz com que ele acabe puxando e jogando a poeira do ambiente sobre quem está utilizando. Já o ar-condicionado, além de manter a temperatura do ambiente, não precisa de uma higiene tão frequente para manter boas condições de uso para quem tem alergias respiratórias”, explica o especialista.
Cuidados com o ar-condicionado
Apesar de ser a opção preferida para muitos pacientes com rinite e asma, o uso do ar-condicionado requer cuidados. De acordo com o Dr. Daniel D’Ávila, a falta de higiene adequada no equipamento pode torná-lo mais prejudicial do que o ventilador. O médico orienta que o filtro do aparelho seja lavado a cada 15 dias e que a limpeza interna profissional seja feita a cada três meses.
Outro ponto de atenção é a temperatura. “Temperaturas abaixo de 23°C podem agir como agentes irritativos das vias respiratórias. O ideal é manter o ambiente em temperaturas amenas para minimizar os efeitos negativos”, alerta.

E o ventilador? pode piorar as crises alérgicas?
Sim. O especialista explica que o ventilador pode espalhar partículas de poeira e ácaros pelo ambiente. “A ressuspensão de partículas biológicas, incluindo ácaros da poeira, é influenciada pela umidade e pelo movimento do ar gerado pelo ventilador”, detalha.
Para prevenir a dispersão de ácaros e poeira, ele recomenda a manutenção de uma boa ventilação no ambiente e a realização de limpeza frequente, de preferência com aspiradores de alta eficiência. “Além disso, é importante higienizar as palhetas do ventilador a cada três dias, aproximadamente”, orienta.
Como melhorar a qualidade do ar?
O uso de ar-condicionado pode deixar o ar mais seco, o que também prejudica quem sofre de problemas respiratórios. Para melhorar a umidificação do ambiente, o Dr. Daniel D’Ávila sugere algumas estratégias simples:
- Colocar uma toalha molhada sobre uma cadeira no quarto;
- Deixar uma bacia de água perto da cama;
- Usar umidificadores de ar de forma racional.
“Os ambientes com ventilação natural são os mais saudáveis. Se você conseguir dormir ou trabalhar em um local com boa ventilação natural, com controle de iluminação adequado, seria um cenário ideal.” — Dr. Daniel D’Ávila, médico otorrinolaringologista
O médico alerta, no entanto, para o uso moderado dos umidificadores. “Se usado por tempo prolongado, o umidificador pode favorecer a proliferação de fungos e outros micro-organismos. Por isso, recomendo deixá-lo ligado por no máximo duas horas à noite e depois desligar.”
Medidas para tornar o ambiente mais saudável
Para quem sofre com asma ou rinite, adotar práticas de controle ambiental é essencial para reduzir a exposição a alérgenos e poluentes. Entre as recomendações do Dr. Daniel D’Ávila estão:
- Usar aspirador de pó e pano úmido ao invés de vassoura;
- Trocar a roupa de cama duas vezes por semana;
- Utilizar capas antialérgicas em colchões e travesseiros;
- Manter o ambiente bem arejado;
- Evitar o uso de produtos com cheiro forte, como talcos, perfumes e desodorantes;
- Evitar banhos muito quentes e mudanças bruscas de temperatura;
- Reduzir o uso de cortinas, tapetes, carpetes e almofadas de tecido permeável;
- Evitar bichos de pelúcia, estantes de livros, caixas e objetos que acumulam poeira.
No geral, o ar-condicionado, com manutenção adequada e filtros adequados, tende a ser a melhor opção para quem sofre de doenças respiratórias, oferecendo controle sobre a temperatura e a qualidade do ar. O ventilador pode ser usado em casos onde o ar-condicionado não está disponível, mas requer atenção especial para evitar a dispersão de alérgenos.

