Se vivo estivesse, Alfredo Ceschiatti, o artista plástico mineiro, autor da escultura intitulada justiça, inspirada na deusa grega Themis, que representa justiça, lei e ordem, certamente, estaria envergonhado.
Na minha imaginação de escritor, Alfredo Ceschiatti ao ver as arbitrariedades da suprema corte brasileira, se encontraria com João Lopes, o marmorarista que esculpiu a obra e, numa taberninha escondida de uma noite qualquer de Ouro Preto, num ato de revolta, depois de alguns goles de vinho, fariam, anonimamente, uma nova escultura, desta vez sem a venda nos olhos, que seria chamada “injustiça” e, na calada da noite, os dois artistas rebeldes trocariam as esculturas.
Então, a chamada suprema corte, uma vergonha deste Brasil sem futuro, estaria, aí sim, muito bem representada.
Ao fim, os dois geniais “golpistas” sentariam na calçada, beberiam uma cachaça mineira, e gritariam na noite de uma Brasília desalmada, para que o mundo ouvisse: “ainda estamos aqui”. Depois, pacientemente, esperariam a condenação sumária, ali mesmo, em nome da democracia.
Rômulo de Oliveira Silva – Angiologista e cirurgião vascular

