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Insônia e ansiedade: quebrando o ciclo que tira seu sono

Insônia é um dos problemas mais comuns da vida moderna

O sono é essa corrente dourada que amarra a saúde e nossos corpos juntos

Thomas Dekker

Você tem dormido bem ultimamente? Talvez essa pergunta cause um desconforto imediato em você, caro leitor. Afinal, poucas coisas na vida são tão importantes quanto o sono – e tão negligenciadas.

Para muitos de nós, deitar-se à noite é como embarcar em uma batalha contra a própria mente. As preocupações do dia que passou se misturam às ansiedades do amanhã e, de repente, o silêncio da noite se transforma em um campo de guerra interno. E aí vem ela, a insônia.

Se essa cena lhe parece familiar, saiba que você não está sozinho. A insônia é um dos problemas mais comuns da vida moderna, e não estamos falando apenas da dificuldade ocasional de dormir.

Para muitos, a insônia é um ciclo vicioso, intimamente ligado à ansiedade. A mente não para, o sono não vem. E, quando finalmente conseguimos dormir, acordamos no dia seguinte mais cansados do que antes, com a irritabilidade e o cansaço nos acompanhando como sombras.

Thomas Dekker nos lembra em sua epígrafe que o sono é essa corrente dourada que amarra a saúde e nossos corpos juntos. E eu pergunto: o que acontece quando essa corrente se rompe? Bem, tudo desmorona.

A ansiedade é uma companheira persistente – ela não respeita horários, não tira folga e, certamente, não deixa você dormir. Quando estamos ansiosos, o corpo entende que estamos em perigo, ativando o chamado “sistema de alerta”.

Esse estado de vigília constante, muitas vezes inconsciente, é o motivo pelo qual você deita na cama, mas não consegue desligar os pensamentos. É como se o cérebro estivesse preso em uma corrida interminável.

E, como se não bastasse, a insônia não é apenas uma consequência da ansiedade – ela também é sua cúmplice. Quanto menos dormimos, mais irritados e inseguros nos sentimos, o que amplifica ainda mais os sintomas de ansiedade. É um ciclo cruel: a ansiedade gera insônia, e a insônia alimenta a ansiedade. E nós, no meio disso tudo, nos sentimos cada vez mais exaustos, emocional e fisicamente.

Dekker, um jovem ator e dramaturgo americano, chamou o sono de “corrente dourada”, e não é à toa. Enquanto dormimos, nosso corpo entra em um estado de reparação profunda. O cérebro organiza memórias, regula emoções e renova suas energias.

O sistema imunológico também trabalha enquanto dormimos, fortalecendo nossas defesas contra doenças. É por isso que a falta de sono afeta não apenas nosso humor, mas também nossa saúde física e mental.

Sem o sono adequado, nossas capacidades de concentração, tomada de decisão e controle emocional se deterioram rapidamente. Você já percebeu como ficamos mais irritáveis ou desatentos depois de uma noite mal dormida? Agora imagine semanas, meses, até anos convivendo com isso. O impacto é devastador.

Eu sei que, nesse momento, você pode estar se perguntando: “Tudo bem, entendi. Mas o que eu posso fazer para dormir melhor?” Aqui, a boa notícia é que existem estratégias práticas que podem ajudar a romper esse ciclo de insônia e ansiedade. Não existe mágica, mas existem passos concretos que podemos dar.

Primeiro, tente criar uma rotina de sono. Parece simples, eu sei, mas é uma das coisas mais eficazes que você pode fazer. Estabeleça horários regulares para dormir e acordar, mesmo nos finais de semana. O corpo é como uma máquina que adora previsibilidade – ele responde bem à consistência.

Outro ponto crucial: desconecte-se. A luz azul das telas de celulares, computadores e televisores interfere diretamente na produção de melatonina, o hormônio que regula o sono. Evite o uso de eletrônicos pelo menos uma hora antes de dormir. Em vez disso, namore, leia um livro, ouça uma música relaxante ou simplesmente aproveite o silêncio.

Ah, e a respiração? Não subestime o poder de respirar. Práticas como a respiração profunda ou a técnica 4-7-8 – inspirar por 4 segundos, segurar por 7 segundos e expirar por 8 segundos – ajudam a acalmar o sistema nervoso, preparando o corpo para o descanso.

Por fim, procure ajuda se a insônia persistir. Às vezes, precisamos de um olhar profissional para entender as raízes do problema e encontrar soluções personalizadas. Cuidar do sono é, acima de tudo, um gesto de autocuidado.

Eu sei que pode parecer difícil. Sei que, em meio às demandas do dia a dia, o sono muitas vezes é a primeira coisa que sacrificamos. Mas quero deixar aqui um convite: cuide do seu sono com o mesmo carinho com que cuida das pessoas que você ama. Ele não é um detalhe – ele é o alicerce sobre o qual tudo o mais se sustenta.

Se você está preso nesse ciclo de insônia e ansiedade, que tal dar o primeiro passo para quebrá-lo hoje? Lembre-se: o sono não é um luxo, mas uma necessidade – e cuidar dele é cuidar de você.

Déborah Pimentel – é médica, psicanalista, membro da Academia Sergipana de Medicina e da Sobrames Sergipe

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