A hanseníase, uma doença antiga e cercada de estigmas, continua a impactar a vida de milhares de pessoas ao redor do mundo. Embora a ciência já tenha identificado métodos eficazes para o seu diagnóstico e tratamento, ainda hoje enfrentamos o desafio do preconceito e da falta de informação, barreiras que dificultam a prevenção e o combate a essa doença.
Causada pela bactéria Mycobacterium leprae, a hanseníase afeta a pele e os nervos de diversas partes do corpo, incluindo braços, pernas e rosto, e pode atingir também olhos e nariz. A transmissão ocorre pelas vias respiratórias, por meio de gotículas eliminadas por pessoas que ainda não iniciaram o tratamento, geralmente após convívio próximo e prolongado. Esse contágio, muitas vezes, é silencioso, o que torna a detecção precoce ainda mais vital.
Os sintomas iniciais podem ser sutis, como manchas de coloração esbranquiçada, avermelhada ou amarronzada, áreas de pele com perda ou diminuição da sensibilidade ao calor, à dor e ao tato, caroços e inchaços doloridos, além de sintomas nos nervos, como dor, choques, fisgadas e sensação de formigamento nos braços, pernas e pés. A falta de tratamento leva a complicações irreversíveis, como deformidades físicas e incapacidades, que, além do sofrimento físico, intensificam o estigma social.
O tratamento, conhecido como poliquimioterapia única (PQT-U), combina três antibióticos – rifampicina, dapsona e clofazimina – com duração de seis a doze meses, dependendo do caso, e é oferecido gratuitamente pelo SUS. Uma vez iniciado, o paciente deixa de transmitir a doença, interrompendo a cadeia de contágio. No entanto, o acesso ao diagnóstico precoce é essencial para evitar sequelas e garantir uma vida saudável.
É imperativo que a sociedade, os profissionais de saúde e as autoridades promovam ações informativas e de conscientização, incentivando a busca pelo diagnóstico logo nos primeiros sintomas e ampliando o acesso ao tratamento. Além disso, é fundamental combater o preconceito e o medo que ainda cercam a hanseníase, compreendendo que essa é uma doença como qualquer outra, que pode e deve ser tratada, sem marginalizar aqueles que convivem com ela.
André Carvalho – jornalista responsável

