
Embora amplamente associado às mulheres, o câncer de mama também pode atingir homens — e o desconhecimento ainda é grande. Segundo o mastologista Dr. José Amaral, muitos homens não sabem que também possuem tecido mamário, ainda que em menor quantidade. Por isso, acreditam estar imunes à doença, o que não é verdade.
A enfermidade é rara, representando cerca de 1% dos casos registrados em relação ao sexo feminino. Em média, a cada 100 mulheres diagnosticadas com câncer de mama, um homem recebe o mesmo diagnóstico. Geralmente, a doença surge entre 60 e 70 anos.
Os principais sinais de alerta são a presença de nódulo, alterações na pele, retração da aréola ou mamilo e secreção papilar — avermelhada, semelhante a sangue, ou aquosa. “Os sintomas são muito parecidos com os observados em mulheres. O problema é que, como o tema é pouco discutido, muitos homens demoram a buscar ajuda”, reforça Dr. Amaral.
Diversos fatores podem elevar o risco, como alterações hormonais, predisposição genética, histórico familiar, radioterapia prévia na região torácica, obesidade, tabagismo e consumo excessivo de álcool. Segundo o mastologista, as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, especialmente o BRCA2, estão relacionadas ao câncer de mama em homens. “Pacientes com histórico familiar devem estar atentos e considerar avaliação genética”, alerta.

O diagnóstico segue a mesma linha utilizada para mulheres: exame clínico inicial, seguido de mamografia, ultrassonografia e, quando necessário, ressonância magnética. Em casos suspeitos, realiza-se biópsia para confirmação.
O tratamento costuma ser semelhante ao do público feminino, mas com uma particularidade importante. “Como o homem tem pouco tecido mamário, o tumor normalmente aparece próximo à aréola. Por isso, na maioria das vezes, optamos pela mastectomia”, explica o especialista. Conforme o caso, o paciente também pode passar por quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia.
A conscientização, para o médico, é fundamental. “Homens também podem ter câncer de mama. Informação é a nossa maior arma para identificar precocemente e aumentar as chances de cura”, destaca.
Para prevenção, recomenda-se a adoção de hábitos saudáveis, como prática regular de exercícios físicos, dieta equilibrada, redução do consumo de álcool e atenção ao próprio corpo. “Qualquer alteração no peito masculino deve ser investigada. O autoexame não é exclusivo das mulheres”, conclui Dr. Amaral.

