
O Outubro Rosa é tradicionalmente marcado por campanhas de conscientização sobre o câncer de mama, mas o cuidado com a saúde das mulheres não deve se limitar ao mês de outubro. A prevenção, o acompanhamento médico e a identificação precoce de possíveis alterações precisam fazer parte da rotina durante todo o ano.
A médica ginecologista interativa, Dra. Elaine Ângelo, reforça que conhecer o próprio corpo, manter consultas de rotina e realizar os exames indicados de acordo com a idade e os fatores de risco são atitudes fundamentais para a saúde das mamas.
Segundo a médica, não é necessário esperar o surgimento de sintomas para procurar atendimento. O acompanhamento regular permite identificar alterações precocemente e avaliar de forma individualizada os riscos de cada paciente.

Fatores de risco
O câncer de mama é uma doença multifatorial. De acordo com a Dra. Elaine, o envelhecimento é um dos principais fatores de risco, mas também devem ser considerados aspectos hormonais e reprodutivos, histórico familiar e genético, além de fatores relacionados ao estilo de vida. Entre os fatores que podem ser modificados estão o excesso de peso corporal, o sedentarismo e o consumo de bebidas alcoólicas.
“Prevenção também é estilo de vida”, destaca a médica, ao ressaltar a importância da prática regular de atividade física, da alimentação equilibrada, da manutenção de um peso saudável e da redução ou eliminação do consumo de bebidas alcoólicas.
Ela também chama atenção para o fato de que não existe um alimento específico capaz de garantir proteção contra o câncer. O que faz diferença é o conjunto de hábitos mantidos ao longo da vida.
Atenção aos sinais
A mulher deve procurar avaliação médica ao perceber qualquer alteração nova nas mamas. Entre os sinais que merecem investigação estão o surgimento de nódulo, especialmente quando endurecido ou fixo, alterações recentes no formato da mama ou do mamilo, retração da pele, aspecto de “casca de laranja”, vermelhidão persistente e feridas que não cicatrizam.
A saída espontânea de secreção pelo mamilo, principalmente quando sanguinolenta e em apenas uma das mamas, também deve ser investigada. O aparecimento de um caroço na axila é outro sinal de alerta.
A médica ressalta, entretanto, que a presença desses sinais não significa necessariamente que a mulher tenha câncer. O importante é que qualquer alteração seja avaliada por um profissional de saúde.
Mamografia e idade
A indicação da mamografia deve levar em consideração a idade, o histórico e o perfil de risco de cada mulher. Para mulheres de risco habitual, a Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda a realização anual do exame a partir dos 40 anos.
A médica explica que o rastreamento é destinado a mulheres que não apresentam sinais ou sintomas. Quando existe alguma alteração ou a paciente apresenta risco aumentado para a doença, a investigação pode começar antes e deve ser individualizada.

Mulheres jovens também precisam estar atentas. Um nódulo ou outra alteração suspeita não deve ser ignorado simplesmente por causa da idade. Nos casos de alto risco hereditário, como mulheres com determinadas mutações genéticas ou histórico familiar significativo, o acompanhamento especializado pode começar mais cedo e incluir outros métodos de imagem.
Conhecer o próprio corpo é fundamental
Embora o autoexame não seja considerado um método isolado de rastreamento capaz de substituir a mamografia, a ginecologista reforça a importância de a mulher conhecer as próprias mamas.
Observar o corpo durante o banho, ao se vestir ou em outros momentos da rotina pode ajudar a perceber mudanças.
“Conhecer o próprio corpo continua sendo fundamental, mas isso não substitui o acompanhamento médico nem os exames indicados”
Dra. Elaine Ângelo, médica ginecologista
Medo da mamografia
A preocupação com a dor e a radiação também faz com que algumas mulheres adiem ou evitem a mamografia. Para a Dra. Elaine, o medo não deve impedir a realização dos cuidados necessários.
A mamografia utiliza uma dose baixa de radiação e, dentro dos critérios de idade e risco, é considerada uma ferramenta importante para o rastreamento. A compressão das mamas pode causar desconforto, mas o procedimento é rápido. A recomendação é conversar com o profissional responsável pelo exame para tornar a experiência mais confortável.
Diagnóstico precoce
A identificação precoce de alterações é considerada um dos pontos fundamentais no enfrentamento do câncer de mama. De maneira geral, quando a doença é descoberta em estágios iniciais, há maior possibilidade de tratamentos efetivos e, dependendo do tipo e do estágio do tumor, de abordagens menos agressivas.
A médica, porém, alerta que não é possível transformar o diagnóstico precoce em uma promessa individual de cura, já que o câncer de mama engloba diferentes tipos, comportamentos e estágios.
Por isso, a orientação é que qualquer alteração suspeita seja investigada o quanto antes, permitindo que a equipe médica avalie o caso e defina a melhor estratégia de tratamento.

“Não espere ter tempo para cuidar de você”
Ao deixar sua mensagem para as mulheres que estão adiando consultas ou exames por falta de tempo, medo ou desinformação, a Dra. Elaine faz um apelo para que o autocuidado seja colocado entre as prioridades. “Não espere ter tempo para cuidar de você. Faça do seu cuidado uma prioridade”, afirma.
A médica lembra que muitas mulheres dedicam grande parte da vida aos filhos, companheiros, trabalho e família, deixando a própria saúde em segundo plano. Para ela, o diagnóstico precoce pode começar com uma atitude simples: marcar uma consulta, conversar com um profissional e entender quais cuidados e exames são indicados para cada caso.
“Não tenha medo de perguntar. Não tenha vergonha de falar sobre seu corpo. E não deixe a desinformação decidir por você.”
Mais do que uma campanha de conscientização em outubro, a mensagem é que o cuidado com as mamas precisa fazer parte da rotina. Afinal, como resume a ginecologista, cuidar das mamas é cuidar da vida — e esse cuidado precisa continuar o ano inteiro.

