Publicidade Hospital de Cirurgia: há 100 anos cuidando da saúde dos sergipanos Hospital de Cirurgia: há 100 anos cuidando da saúde dos sergipanos

Frenectomia lingual

Um pequeno freio, grandes impactos

Há estruturas pequenas no corpo que podem ter grande influência na qualidade de vida. Na boca, uma delas é o freio lingual.

O freio lingual é uma pequena faixa de tecido localizada abaixo da língua. Em muitas pessoas, ele permite movimentação normal e não causa nenhum problema.

Mas, em alguns casos, pode ser curto, espesso ou inserido de forma a limitar os movimentos da língua, condição popularmente conhecida como “língua presa” ou, tecnicamente, anquiloglossia.

Quando essa limitação interfere em funções importantes, a frenectomia lingual pode ser indicada. Mas é preciso deixar claro: nem todo freio lingual precisa ser removido.

A decisão deve partir de uma avaliação criteriosa, funcional e individualizada.

Frenectomia lingual
Foto: pvproductions/Magnific

A língua participa de funções essenciais

A língua não serve apenas para sentir sabores. Ela participa da fala, da mastigação, da deglutição, da amamentação, da higiene natural da boca e até da postura oral.

Quando sua movimentação está limitada, algumas funções podem ser prejudicadas.

Em bebês, a alteração pode dificultar a pega durante a amamentação em situações específicas. Em crianças maiores, pode estar associada a dificuldades funcionais, dependendo do grau de restrição.

Em adolescentes e adultos, alguns pacientes relatam limitações para determinados movimentos, desconforto, dificuldade na fala ou incômodo durante funções simples do dia a dia.

Mas cada caso precisa ser analisado com responsabilidade. Dificuldades de amamentação, fala ou mastigação podem ter várias causas, e o freio lingual nem sempre é o principal responsável.

Diretrizes pediátricas reforçam que nem todos os bebês com anquiloglossia precisam de intervenção cirúrgica, e que a avaliação deve considerar o contexto funcional completo.

O diagnóstico não deve ser apenas visual

Um erro comum é olhar para o freio lingual e concluir rapidamente que ele precisa ser cortado. Na odontologia responsável, o diagnóstico não deve ser baseado apenas na aparência.

É necessário observar a mobilidade da língua, sua elevação, projeção, lateralidade, participação na fala, na deglutição e na mastigação.

Em bebês, a avaliação da amamentação deve envolver uma visão ampla, considerando mãe, bebê, pega, dor, ganho de peso e orientação adequada.

Depois de mais de duas décadas de prática clínica, uma das maiores lições é esta: procedimento bem indicado começa com diagnóstico bem feito.

A frenectomia lingual não deve ser vista como moda, nem como solução automática. Ela é um recurso importante quando há indicação real.

O que é a frenectomia lingual

A frenectomia lingual é o procedimento realizado para remover ou liberar o tecido que restringe os movimentos da língua. O termo “frenectomia” é usado para descrever a remoção do freio.

O procedimento pode ser realizado com diferentes técnicas, como instrumentos convencionais ou laser, a depender do caso, da idade do paciente, da anatomia local, da experiência profissional e do planejamento clínico.

Mais importante do que a técnica é a indicação correta.

Quando bem planejada, a intervenção busca melhorar a mobilidade da língua e favorecer funções que estavam comprometidas.

Ainda assim, como qualquer procedimento cirúrgico, exige cuidados, orientação, acompanhamento e respeito às particularidades de cada paciente.

O papel da fonoaudiologia e do acompanhamento

Em muitos casos, especialmente em crianças maiores e adultos, a frenectomia lingual não deve ser pensada isoladamente.

A língua pode ter passado anos funcionando com limitações e compensações. Por isso, o acompanhamento fonoaudiológico pode ser fundamental antes e depois do procedimento, ajudando na reeducação dos movimentos, da fala, da deglutição e da postura da língua.

A cirurgia libera o movimento. Mas o paciente muitas vezes precisa aprender a usar melhor essa nova mobilidade.

Esse olhar integrado é essencial. Odontologia, fonoaudiologia, pediatria e outros profissionais podem atuar juntos para que a decisão seja mais segura e o resultado mais funcional.

Cuidar do freio lingual é cuidar da função

A frenectomia lingual não é apenas um procedimento na língua. Quando bem indicada, ela pode participar da melhora de funções importantes da vida: mamar, falar, mastigar, engolir e movimentar a língua com mais liberdade.

Mas o objetivo nunca deve ser intervir por aparência ou por tendência. O objetivo deve ser devolver função, conforto e qualidade de vida quando existe uma limitação real.

A boca é um sistema integrado. Cada detalhe importa. E o freio lingual, apesar de pequeno, pode ter grande impacto quando interfere no equilíbrio desse sistema.

Para ler mais conteúdos sobre saúde bucal e sua relação com a saúde geral, acesse meu blog: dresdras.com.br/blog.

Dr. Esdras Guimarães – CRO-SE 1463. Formado desde 2005 pela UNIT – Universidade Tiradentes e Especialista em Prótese Dentária pela Associação Brasileira de Odontologia. Pós-graduado em Implantes pelo International Team for Implantology.

Publicidade Hospital de Cirurgia: há 100 anos cuidando da saúde dos sergipanos Hospital de Cirurgia: há 100 anos cuidando da saúde dos sergipanos