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Imunidade em alta: como se proteger das doenças respiratórias no outono e inverno

Com a chegada das temperaturas mais amenas, os ventos frios trazem mais do que casacos e bebidas quentes: aumentam também os casos de gripes, resfriados, sinusites, pneumonias e outras infecções respiratórias. Isso acontece porque, nesse período, passamos mais tempo em ambientes fechados e mal ventilados, há maior circulação de vírus no ar, e nossa imunidade pode estar enfraquecida por hábitos acumulados ao longo do ano.

Como médica infectologista e atuando nos cuidados com a imunidade, quero compartilhar com vocês algo que pode transformar a forma como enfrentamos essas estações: o cuidado com os cinco pilares fundamentais da imunidade. Eles são a base que sustenta nosso sistema imunológico e, quando bem cuidados, funcionam como um verdadeiro escudo natural contra as doenças.

1. atividade física regular

Nos dias frios, é comum a vontade de ficar mais tempo em casa, mas o sedentarismo enfraquece o sistema imunológico. A prática de exercícios — mesmo que leve, como caminhadas, alongamentos ou treinos em casa — ativa a circulação, estimula a produção de células de defesa e reduz a inflamação crônica, preparando o corpo para reagir melhor a vírus e bactérias.

2. escolhas alimentares inteligentes

O que colocamos no prato influencia diretamente nossa imunidade. Alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar e gordura, inflamam o organismo e o tornam mais vulnerável. Já uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, proteínas de qualidade e gorduras boas fornece os nutrientes essenciais para a defesa do corpo. Nessa época do ano, inclua alimentos ricos em vitamina C, zinco e selênio, como laranja, acerola, castanhas, ovos e peixes.

3. saúde intestinal em dia

Você sabia que cerca de 70% da nossa imunidade está concentrada no intestino? Ele é uma das nossas maiores barreiras contra infecções. Um intestino inflamado, preso ou desregulado impacta diretamente na capacidade do corpo de reagir a agentes infecciosos. Probióticos naturais, fibras e uma boa hidratação são aliados importantes — especialmente quando há aumento de uso de medicamentos nessa época.

4. equilíbrio hormonal

Hormônios em desequilíbrio, como o cortisol, a insulina ou os hormônios sexuais, afetam a imunidade de forma silenciosa. Muitas vezes, fadiga constante, ganho de peso, ansiedade e baixa resistência às infecções estão ligados a um eixo hormonal em desequilíbrio. Especialmente nas mulheres, a transição hormonal durante a menopausa ou o ciclo menstrual pode influenciar diretamente a resposta imunológica. Avaliações personalizadas e, quando necessário, a reposição bioidêntica ajudam a restaurar esse eixo com segurança.

5. gerenciamento do estresse e qualidade do sono

Estresse crônico é um dos maiores sabotadores da imunidade. Ele aumenta o cortisol, diminui a produção de anticorpos e nos deixa mais vulneráveis. Dormir mal também reduz a regeneração celular e prejudica as funções de defesa. Técnicas simples de respiração, meditação, desconexão digital e uma rotina de sono consistente fazem toda a diferença — especialmente em tempos tão exigentes emocionalmente.

Outro ponto essencial, e muitas vezes negligenciado por adultos, é a manutenção da carteira de vacinação em dia. Vacinas não são apenas para crianças. A imunização contra gripe, pneumonia, tétano, hepatites e coqueluche, por exemplo, é fundamental para prevenir complicações, especialmente nas estações mais frias.

Além disso, realizar exames periódicos e consultas médicas regulares permite identificar deficiências nutricionais, desequilíbrios hormonais e alterações imunológicas antes que se tornem problemas maiores. O cuidado contínuo com a saúde, aliado a um acompanhamento profissional qualificado, é parte vital da construção de uma imunidade forte e duradoura.

Dra. Mariela Cometki – médica infectologista

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