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Infecções respiratórias graves avançam no Brasil e acendem alerta para crianças

Infecções respiratórias graves avançam no Brasil e acendem alerta para crianças
Além dos bebês, crianças mais velhas também têm apresentado quadros graves. Foto: Freepik

O aumento dos casos de infecções respiratórias graves no Brasil tem preocupado especialistas e pressionado os serviços de saúde, especialmente quando se trata do público infantil. De acordo com o pneumologista Dr. George Amado, o cenário atual é resultado de uma combinação de fatores que se intensificaram após a pandemia.

Segundo o médico, um dos principais motivos é a chamada “dívida imunológica”. Durante o período de isolamento social, muitas crianças ficaram menos expostas a vírus comuns, o que acabou reduzindo o “treinamento” do sistema imunológico. “Quando voltaram à rotina, esse contato aconteceu de forma intensa e simultânea”, explica. A esse fator somam-se a queda na cobertura vacinal, mudanças bruscas de temperatura e a piora na qualidade do ar em áreas urbanas.

Atualmente, diversos vírus circulam ao mesmo tempo no país, o que agrava o cenário. Entre os principais estão o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), responsável por quadros graves em bebês, além da Influenza A e B, metapneumovírus, adenovírus, rinovírus e variantes do coronavírus. “Antes, os surtos tinham uma sequência mais previsível. Hoje, eles acontecem juntos”, destaca o pneumologista.

Infecções respiratórias graves avançam no Brasil e acendem alerta para crianças
Dr. George Amado, pneumologista. Foto: Arquivo Pessoal

Outro ponto que chama atenção é a mudança no perfil dos pacientes. Além dos bebês, crianças mais velhas também têm apresentado quadros graves, o que reforça o impacto da baixa exposição prévia aos vírus. A vulnerabilidade infantil, segundo o especialista, está ligada tanto à anatomia quanto à imunidade. “As vias aéreas são muito pequenas e o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento, principalmente nos primeiros anos de vida”, afirma.

Os sinais de alerta exigem atenção imediata dos pais. Entre eles estão respiração acelerada, esforço para respirar — com retrações visíveis no tórax —, lábios arroxeados, sonolência excessiva, febre persistente e recusa alimentar, especialmente em bebês. “Apareceu qualquer um desses sinais, é preciso procurar atendimento sem esperar”, orienta.

Bebês com menos de seis meses são os mais vulneráveis e podem evoluir rapidamente para quadros graves, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que exige hospitalização e, em alguns casos, suporte em UTI. Entre as possíveis complicações estão pneumonia, insuficiência respiratória e até sequelas pulmonares. Além disso, infecções graves na infância podem aumentar o risco de doenças respiratórias crônicas no futuro, como a asma.

A prevenção, segundo o especialista, continua sendo a principal aliada. Manter a vacinação em dia é fundamental, especialmente contra a gripe e o pneumococo. Medidas simples também fazem diferença, como higienizar as mãos, manter ambientes ventilados, evitar exposição de bebês a locais fechados e com aglomeração, além de não fumar dentro de casa. A amamentação exclusiva até os seis meses também contribui para fortalecer a imunidade.

Apesar do alerta, o médico destaca que nem todos os casos exigem hospitalização. Crianças maiores, sem comorbidades e com sintomas leves podem ser acompanhadas em casa, desde que não apresentem sinais

Infecções respiratórias graves avançam no Brasil e acendem alerta para crianças
Manter a vacinação em dia é fundamental, especialmente contra a gripe e o pneumococo. Foto: Ascom/SES

de gravidade. No entanto, ele faz um alerta sobre erros comuns: “Muitos pais demoram a buscar atendimento ou usam antibióticos por conta própria, o que é inadequado na maioria dos casos, já que as infecções são virais”.

Por fim, o pneumologista reforça a importância da informação de qualidade e da responsabilidade coletiva. “Atenção, sim. Pânico, não. Reconhecer os sinais de alerta e manter a vacinação em dia faz toda a diferença. E uma recomendação importante: criança com sintomas gripais não deve ir à escola”, conclui.

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