A promoção de hábitos de vida saudáveis constitui um dos maiores desafios da saúde contemporânea. Em um cenário marcado por índices alarmantes de sedentarismo, sobrepeso, doenças cardiovasculares (DCV) e transtornos mentais, torna-se imperativo que os profissionais de saúde assumam papéis ativos não apenas no tratamento das enfermidades, mas, sobretudo, na sua prevenção. Dizer “sim” ao exercício físico (EF) significa adotar um estilo de vida ativo e, simultaneamente, abraçar uma estratégia de cuidado integral do corpo e da mente.
É importante distinguir conceitos fundamentais: atividade física corresponde a todo movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que resulta em gasto energético acima dos níveis de repouso — como caminhar, subir escadas ou realizar tarefas domésticas. Já o EF é uma forma específica de atividade física, planejada, estruturada e repetitiva, cujo objetivo é melhorar ou manter a aptidão física e a saúde. Assim, todo exercício é atividade física, mas nem toda atividade física pode ser considerada exercício.
A prática regular de EF é amplamente preconizada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e por sociedades médicas congêneres ao redor do mundo, como estratégia para promover saúde física e mental, além de reduzir a incidência de DCV. Entre elas, destacam-se o infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral (derrame), responsáveis por aproximadamente 31% das mortes no Brasil e no mundo. Para alcançar tais benefícios, recomenda-se a combinação de exercícios aeróbicos (como caminhada, corrida, ciclismo e natação) com atividades de fortalecimento muscular (como treinos com faixas elásticas, com pesos livres ou com o próprio peso corporal).
Indivíduos portadores de cardiopatias também devem ser estimulados a praticar EF, desde que com orientação médica; em algumas situações clínicas, essa prática deve ser supervisionada por um profissional habilitado. Da mesma forma, práticas como o alongamento, a yoga e o pilates oferecem contribuições relevantes para a saúde cardiovascular e para o bem-estar geral. As diretrizes internacionais sugerem a realização de pelo menos 150 minutos de atividade aeróbica moderada (30 minutos – 5 vezes/semana) ou 75 minutos de atividade intensa (25 minutos – 3 vezes/semana), associados a duas sessões semanais de fortalecimento muscular. A progressão da intensidade deve ser gradual e respeitar os limites individuais.
Embora não haja contraindicações absolutas ao EF, a prescrição deve ser sempre individualizada, prevenindo excessos e adaptando os treinos às condições clínicas de cada pessoa. Nesse contexto, merece destaque a iniciativa dos coordenadores do Serviço de Cardiologia do Hospital São Lucas de Aracaju/SE, Rede D’Or, ao promoverem a discussão e a difusão dos benefícios do binômio coração–exercício físico por meio da obra “Cardiologia do Exercício: Maximizando os Benefícios e Reduzindo os Riscos”. O livro explora, com linguagem acessível e rigor científico, as múltiplas vantagens e cuidados necessários para uma prática salutar e segura de EF. Alinhado às diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de sociedades médicas nacionais e internacionais, o texto apresenta caráter didático e abrangente, sem pretender ser um tratado da especialidade, mas oferecendo ao leitor orientações claras e fundamentadas. A cuidadosa seleção de temas, associada a uma abordagem sinóptica e a questionamentos pertinentes, amplia o alcance educativo da obra.
Assim, reforça-se a importância de dizer “sim” ao exercício físico, de forma consciente e personalizada, maximizando benefícios e minimizando riscos, em consonância com o melhor da ciência contemporânea. Como afirmou William Osler (1849–1919) – médico canadense, considerado por muitos, o pai da medicina moderna: “Nenhuma medicação substitui o valor do exercício físico regular.”
Antônio Carlos Sobral Sousa – Professor Titular da UFS e Membro das Academias Sergipanas de Medicina, de Letras, de Educação, Estanciana de Letras e Riachuelense de Letras, Ciências e Artes

