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Agosto branco: prevenção e diagnóstico precoce são fundamentais no combate ao câncer de pulmão

Agosto branco: prevenção e diagnóstico precoce são fundamentais no combate ao câncer de pulmão
Campanha alerta para os riscos do tabagismo, dos cigarros eletrônicos e destaca os avanços no tratamento do câncer de pulmão. Foto: Magnific

O câncer de pulmão está entre os tipos de câncer mais incidentes no Brasil e continua sendo uma importante preocupação de saúde pública. Durante o Agosto Branco, campanha dedicada à conscientização sobre a doença, o alerta se volta principalmente para a prevenção, o combate ao tabagismo, a identificação dos fatores de risco e a importância do diagnóstico precoce.

Agosto branco: prevenção e diagnóstico precoce são fundamentais no combate ao câncer de pulmão
Oncologista clínica, Dra. Luciana Franco do Prado de Carvalho

Para falar sobre esses e outros aspectos, a Revista Saúde em Dia entrevistou a oncologista clínica Dra. Luciana Franco do Prado de Carvalho, que explica os principais fatores associados ao câncer de pulmão, os riscos do cigarro eletrônico e do tabagismo passivo, além dos benefícios de abandonar o cigarro. A especialista também aborda as estratégias de rastreamento e prevenção e destaca os avanços no tratamento da doença, como as terapias-alvo e a imunoterapia.

Saúde em Dia – Dra. Luciana, para este ano, a Campanha do Agosto Branco traz novos dados sobre o aumento ou redução do número de diagnósticos de câncer de pulmão?

Dra. Luciana de Carvalho: O câncer de pulmão permanece entre os cinco tumores mais incidentes, sendo o 3º entre homens e o 4º entre mulheres. Por isso, ele merece atenção e cuidado. Essa é a missão das Campanhas do Agosto Branco. É um momento para lembrar às pessoas sobre os riscos do cigarro, incentivar quem fuma a buscar ajuda para parar de fumar e também lembrar que pessoas que nunca fumaram podem desenvolver a doença, por isso precisamos estar atentos aos fatores de risco e aos sinais de alerta. Então, a grande mensagem do Agosto Branco é: informação, prevenção e diagnóstico precoce. Quanto mais cedo o câncer de pulmão é descoberto, maiores são as possibilidades de tratamento e de cura.

Sobre o tabagismo, continua sendo o principal fator de risco? Sim. O cigarro continua sendo o principal fator de risco para o câncer de pulmão. No Brasil, o INCA estima que cerca de 85% dos casos de câncer de pulmão estejam relacionados ao tabagismo. E quanto maior o número e o tempo de exposição ao cigarro maiores são os riscos.

O cigarro eletrônico também aumenta o risco da neoplasia? Sobre o VAPE, inicialmente, acreditava-se que o cigarro eletrônico poderia ajudar algumas pessoas a abandonar o cigarro comum. Mas o que foi observado é que, muitas vezes, a pessoa troca uma dependência por outra ou passa a usar os dois; o cigarro eletrônico e o convencional. Talvez, por isso, ainda existe uma falsa impressão de que seria uma alternativa segura ao cigarro comum, mas isso não é verdade. O aerossol do cigarro eletrônico pode conter nicotina e diversas substâncias tóxicas, inclusive, algumas conhecidas por causar câncer. Além disso, a indústria do tabaco transformou o VAPE em um produto extremamente atrativo para adolescentes e adultos jovens, pelas suas cores e sabores, o que torna esse perigo ainda maior. E, infelizmente, os efeitos a longo prazo ainda não são totalmente conhecidos.

O fumante passivo também pode desenvolver a doença? O fumante passivo também está em risco. Quem convive frequentemente com fumantes e respira essa fumaça, também fica exposto às substâncias cancerígenas e apresenta maior risco de desenvolver câncer de pulmão, além de outras doenças respiratórias e cardiovasculares. Por isso, o cigarro pode trazer consequências para toda a família.

E quem fuma há muitos anos: “não adianta mais parar”. Isso é mito ou verdade? Mito. Nunca é tarde para parar de fumar. Até mesmo para pacientes que já têm câncer de pulmão, existe benefício em parar de fumar.

E para os pacientes que nunca tiveram a doença, cada ano sem cigarro conta ! O risco não desaparece de um dia para o outro, mas vai diminuindo progressivamente. Depois de 10 a 15 anos, o risco adicional de câncer de pulmão já pode cair pela metade, em relação a quem continua fumando.

Além do combate ao tabagismo, quais as outras formas de prevenção? Definitivamente, evitar o cigarro e a fumaça do cigarro é a principal forma de prevenção. Mas evitar exposição a outros produtos químicos como amianto, sílica, arsênio e alguns outros também é importante. Outro fator cítrico e difícil de controlar é a poluição do ar, a qual também está associada ao aumento do risco de câncer de pulmão.

Por isso, políticas que melhorem a qualidade do ar e reduzam a exposição à poluição também fazem parte da prevenção. Além disso, manter um estilo de vida saudável, com atividade física regular, alimentação equilibrada e manutenção de um peso adequado são hábitos importantes para a prevenção do câncer de forma geral, embora, no câncer de pulmão, o impacto seja muito menor do que o do tabagismo.E existe um ponto fundamental: para pessoas com histórico importante de tabagismo e que se enquadram nos critérios de risco, o rastreamento com tomografia de baixa dose pode detectar o câncer de pulmão em fases mais iniciais, quando as chances de cura são muito maiores. É importante lembrar que o rastreamento não evita que o câncer apareça, mas pode reduzir a mortalidade por permitir o diagnóstico precoce.

E como tem evoluído o tratamento do câncer de pulmão nos últimos anos, Dra.? O tratamento do câncer de pulmão foi um dos que mais evoluíram na oncologia nos últimos anos. Há algum tempo, tínhamos basicamente a quimioterapia como opção. Hoje, conseguimos conhecer muito melhor as características de cada tumor e escolher tratamentos mais personalizados como, por exemplo, as terapias alvos, que buscam mutações específicas para as quais temos medicamentos capazes de agir diretamente naquele ‘alvo’ do tumor, bloqueando seu crescimento. Outra grande evolução foi a imunoterapia, que estimula o próprio sistema imunológico do paciente a reconhecer e combater as células do câncer.

Hoje temos pessoas vivendo vários anos com um câncer de pulmão metastático controlado, algo que era muito menos frequente no passado. Além da melhoria da técnicas de cirurgia e radioterapia nos pacientes com doença localizada. Por isso, hoje é muito importante dizer que câncer de pulmão não é uma doença única. Dois pacientes podem ter tumores aparentemente semelhantes, mas receber tratamentos completamente diferentes e ter evoluções também muito diferentes.

Por fim, como Dra. Luciana gostaria de orientar a população para cuidar da saúde a partir desta nossa conversa, no Agosto Branco? Prevenção, informação e diagnóstico precoce ainda são algumas das nossas melhores ferramentas contra o câncer de pulmão. Quando falamos em prevenção, a medida mais importante é parar de fumar. Isso protege não só quem fuma, mas também quem convive com o fumante. Se você fuma, procure orientação! Existem tratamentos que podem ajudar você a parar. Se você continua fumando, procure seu médico e converse sobre o exame de rastreamento para o câncer de pulmão. O diagnóstico precoce salva muitas vidas.

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