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Especialista alerta para riscos do uso indiscriminado das “canetas emagrecedoras”

Especialista alerta para riscos do uso indiscriminado das “canetas emagrecedoras”
Uso indiscriminado dos medicamentos pode causar riscos à saúde e comprometer o tratamento da obesidade, do diabetes e da síndrome metabólica. Foto: stefamerpik/Magnific

As chamadas “canetas emagrecedoras” se tornaram um dos assuntos mais comentados nos últimos anos, impulsionadas por relatos de perda rápida de peso nas redes sociais. No entanto, especialistas alertam que esses medicamentos não devem ser utilizados por motivos exclusivamente estéticos nem sem acompanhamento médico.

Segundo o médico endocrinologista Dr. Marcus Lessa de Castro, que atua na Clínica Climedi, o termo “caneta emagrecedora” se refere, na verdade, ao dispositivo utilizado para aplicar medicamentos injetáveis. As canetas são seringas autoinjetáveis desenvolvidas inicialmente para facilitar a aplicação de insulina e, posteriormente, passaram a ser utilizadas para medicamentos agonistas do receptor de GLP-1, como a liraglutida, a semaglutida e a tirzepatida.

Essas substâncias atuam reduzindo o apetite, retardando o esvaziamento do estômago, melhorando o controle da glicemia e promovendo alterações no metabolismo que favorecem a perda de peso. Atualmente, representam uma das principais ferramentas farmacológicas no tratamento da obesidade.

Indicação é restrita a pacientes com critérios médicos

O especialista explica que esses medicamentos possuem indicações bem definidas. Eles são recomendados principalmente para pessoas com diabetes tipo 2, obesidade, síndrome metabólica e pacientes com alto risco cardiovascular que necessitam controlar o peso para reduzir complicações de saúde. “Em alguns casos, adolescentes com obesidade também podem receber indicação para o tratamento, desde que sejam rigorosamente avaliados por um médico”, explica.

Especialista alerta para riscos do uso indiscriminado das “canetas emagrecedoras”
Dr. Marcus Lessa de Castro, médico endocrinologista

Por outro lado, pessoas com histórico de pancreatite, alterações importantes das enzimas pancreáticas ou alergia aos agonistas do receptor de GLP-1 não devem utilizar essas medicações.

Uso por estética pode trazer riscos

Com a popularização dos medicamentos, muitas pessoas passaram a utilizá-los apenas para fins estéticos. O médico alerta que essa prática pode ser perigosa. Segundo ele, liraglutida, semaglutida e tirzepatida possuem indicações clínicas específicas e devem ser prescritas exclusivamente por médicos capacitados, preferencialmente endocrinologistas ou nutrólogos com experiência no tratamento da obesidade. “O que serve para uma pessoa pode não ser adequado para outra. Toda indicação deve ser individualizada”, destaca.

Outro alerta importante é em relação à compra desses medicamentos pela internet ou em canais não autorizados. Conforme as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a aquisição de medicamentos como liraglutida, semaglutida e tirzepatida exige receita médica em duas vias, com retenção obrigatória e validade de 90 dias.

“Adquirir esses produtos fora das farmácias representa um grande risco, já que não há garantia sobre a procedência, conservação ou composição da substância. Quem compra medicamentos pela internet, sem controle, não sabe exatamente o que está aplicando no próprio organismo”, alerta.

Efeitos colaterais exigem acompanhamento

Embora sejam considerados medicamentos seguros quando utilizados corretamente, alguns efeitos colaterais podem surgir durante o tratamento. Os sintomas mais frequentes são náuseas, sensação de empachamento, cansaço e aumento da sede. Como cada organismo responde de forma diferente, o tratamento deve ser individualizado e acompanhado de perto pelo médico para reduzir a ocorrência desses efeitos.

Apesar da eficácia das medicações, o especialista ressalta que elas não promovem resultados duradouros quando utilizadas isoladamente. A obesidade é uma doença crônica e complexa que exige mudanças permanentes no estilo de vida. Por isso, o tratamento deve envolver uma equipe multidisciplinar formada por médico, nutricionista, educador físico e, quando necessário, psicólogo.

“Muitos pacientes também necessitam de apoio psicológico para modificar comportamentos relacionados à alimentação e enfrentar os desafios emocionais envolvidos no tratamento”, explica.

Não há risco de dependência

Especialista alerta para riscos do uso indiscriminado das “canetas emagrecedoras”
A aquisição de medicamentos como liraglutida, semaglutida e tirzepatida exige receita médica em duas vias, com retenção obrigatória e validade de 90 dias. Foto: Anvisa

Outra dúvida comum diz respeito ao risco de dependência. De acordo com o especialista, os agonistas do GLP-1 não provocam dependência química. O tempo de tratamento varia conforme a resposta clínica de cada paciente e deve ser definido exclusivamente pelo médico, que avaliará continuamente os benefícios, a necessidade de manutenção da medicação e a evolução do quadro.

Para quem pensa em iniciar o tratamento após ver influenciadores digitais ou amigos apresentando resultados rápidos, o médico faz um alerta. “A recomendação é procurar um endocrinologista ou nutrólogo habilitado no tratamento da obesidade e verificar se o profissional possui Registro de Qualificação de Especialista (RQE). Somente após uma avaliação clínica completa será possível definir se existe indicação para o uso da medicação”, pontua Dr Marcus.

“O objetivo do tratamento deve ser sempre a promoção da saúde. O emagrecimento precisa acontecer de forma segura, responsável e com acompanhamento profissional, nunca motivado apenas por tendências das redes sociais”, conclui.

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