Em entrevista, a mastologista Dra. Gildiane de Melo Rangel fala sobre prevenção, orientações e mitos que envolvem a doença

Em entrevista, a médica mastologista Dra. Gildiane de Melo Rangel destacou a importância da atenção constante à saúde das mamas, reforçando que a detecção precoce é fundamental para o sucesso do tratamento. A especialista explicou que o câncer de mama pode ser assintomático, ou seja, não apresentar nenhum sintoma, como dor ou nódulos, e alertou para o cuidado com vídeos e informações incorretas e sensacionalistas que são veiculadas nas redes sociais. Confira!
Saúde em Dia: Podemos afirmar que a cada ano temos uma maior conscientização sobre as formas de prevenção do câncer de mama, em especial, aumento na adesão às consultas com mastologista e à realização da mamografia? Temos dados?
Dra. Gildiane Rangel: Muito graças ao Outubro Rosa, essa conscientização vem crescendo, visto que inúmeras campanhas e palestras são realizadas como estímulo ao cuidado e à prevenção. Entretanto, apesar do aumento ao longo dos anos na realização da mamografia, a taxa de cobertura no Brasil ainda está muito aquém do ideal: de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), apenas 58,3% das mulheres entre 50 e 69 anos realizaram o exame.
Saúde em Dia: Qual é o momento ideal para uma mulher ir ao mastologista?
Dra. Gildiane Rangel: A mulher deve procurar um mastologista a partir dos 40 anos de idade. Ou, antes disto, em casos específicos e individualizados como pacientes de alto risco ou com alguma alteração mamária. No geral, a mulher abaixo dos 40 anos faz a sua rotina com um médico generalista ou ginecologista, e quando algum exame mamário encontra-se alterado, ela é encaminhada para avaliação com mastologista.
Saúde em Dia: O câncer de mama sempre apresenta caroço ou pode ser silencioso?
Dra. Gildiane Rangel: O câncer de mama pode ser assintomático, ou seja, não apresentar nenhum sintoma, como dor ou nódulos, e ser apenas visto nos exames de rotina, por isso a importância de realização dos exames regulares, como a mamografia, mesmo sem a paciente sentir nada. Em alguns casos, menos iniciais, o carcinoma de mama pode estar associado a sinais e sintomas como dor, nódulos palpáveis, alterações de pele, saída de secreção pelo mamilo (descarga papilar), retrações ou abaulamentos.
Saúde em Dia: A mamografia pode ser indicada abaixo dos 40 anos?
Dra. Gildiane Rangel: De acordo com sociedades médicas, como a Sociedade Brasileira de Mastologia e a FEBRASGO, de Ginecologia, a mamografia deve ser realizada a partir dos 40 anos, anualmente. Entretanto, alguns casos individualizados necessitam iniciar essa prática de forma mais precoce, como por exemplo, em pacientes de alto risco, mulheres com histórico familiar importante ou mutações genéticas (BRCA1/BRCA2), ou com alterações específicas em casos individualizados.
Saúde em Dia: Como combater o medo ou o preconceito em relação aos exames?
Dra. Gildiane Rangel: Informação correta é sempre o melhor caminho. É preciso ter cuidado com vídeos e informações incorretas e sensacionalistas que são veiculadas nas redes sociais, por exemplo. O acolhimento médico, explicação clara do benefício do exame e de como ele salva vidas, o esclarecimento das dúvidas e promover campanhas que reforçam essa importância podem aumentar a aceitação do exame.
Saúde em Dia: A mamografia dói? Existe algum grupo de mulheres que não tem indicação de fazer?
Dra. Gildiane Rangel: A mamografia pode causar desconforto, porém é um exame rápido e a maioria das pacientes não costuma sentir dor. Mulheres com menos de 40 anos, sem fatores de risco ou sem outras alterações que indiquem o exame, geralmente não precisam realizar a mamografia, devido à densidade mamária que diminui a sensibilidade. Pacientes mastectomizadas, mesmo com reconstruções mamárias, também não necessitam realizar mamografia.
Saúde em Dia: O autoexame das mamas ainda é recomendado?
Dra. Gildiane Rangel: O autoexame não substitui a mamografia ou a consulta médica, não funciona como rastreamento, nem apresenta impacto em mortalidade. Porém, ele é estimulado como forma de autoconhecimento. O mais importante é a mulher conhecer suas mamas e procurar ajuda se notar alterações, nos intervalos entre os exames complementares.
Saúde em Dia: Homens também podem ter câncer de mama? Como identificar?
Dra. Gildiane Rangel: Câncer de mama masculino é muito raro (menos de 1% dos casos), mas existe. O homem não apresenta indicação para realização de rotina de exames como mamografia e ultrassonografia mamária, portanto, a detecção vai ser dada pelo autoexame e atenção aos sinais de alerta. Presença de nódulo, alterações no mamilo, saída de secreção, alterações de pele, abaulamentos, precisam de atenção e buscar auxílio médico neste contexto.
Saúde em Dia: Quando diagnosticado o câncer de mama, como é decidido qual tratamento a ser feito? Mastologista e oncologista atuam juntos?
Dra. Gildiane Rangel: O tratamento do câncer de mama é individualizado e multidisciplinar. A paciente como um todo é avaliada, bem como o tipo do câncer e o estadiamento. Ela irá passar em consulta com o mastologista e com o oncologista, para a decisão de como será realizado o melhor tratamento que, de modo geral, consiste em cirurgia, tratamento sistêmico (endocrinoterapia, imunoterapia, quimioterapia, quando indicado) e radioterapia. Existem outras profissões extremamente importantes nessa caminhada, como exemplos: nutricionista, fisioterapeuta, psicólogo, etc.
Saúde em Dia: Qual mensagem gostaria de deixar neste Outubro Rosa?
Dra. Gildiane Rangel: O câncer de mama é o tipo de câncer que mais acomete as mulheres no país, após os tumores de pele não melanoma, e é também o que apresenta maior mortalidade. Entretanto, quando diagnosticado de forma precoce apresenta uma alta taxa de cura. Valorize sua saúde, faça seus exames de rotina e incentive outras mulheres a cuidarem de si. Prevenção é um ato de amor próprio e com quem você ama. Mamografia salva vidas!

