
Mundialmente conhecida, a campanha Outubro Rosa tem o objetivo de informar sobre a prevenção, a importância do diagnóstico precoce e os tratamentos disponíveis para o câncer de mama, neoplasia que mais acomete mulheres em todo o mundo. Para falar sobre esse assunto, nós entrevistamos a Dra. Karina Oliveira Ferreira, oncologista e sócia-fundadora da Vitta Oncologia. Confira!
Saúde em Dia: Por que é dito que o câncer de mama é multifatorial?
Dra. Karina: O câncer de mama não tem uma causa única. Diversos fatores estão relacionados ao aumento do risco de desenvolver a doença, tais como: idade, estilo de vida, fatores hormonais e mutações genéticas. A maioria dos casos está relacionada a fatores ambientais e comportamentais. Apenas cerca de 5% a 10% são devidos a fatores hereditários.
Há alguns anos, os casos de diagnóstico abaixo dos 40 anos eram algo raro. Essa realidade tem mudado?
Os estudos mostram que, nas últimas duas décadas, houve um aumento significativo dos casos em mulheres jovens, o que se relaciona diretamente com maiores índices de obesidade na população, consumo de alimentos altamente processados e hábitos de vida mais sedentários.
Por que tanto tem se pontuado que o autoexame não pode ser considerado um exame para rastreamento? Quais seriam os exames preventivos e quando eles devem ser feitos?
O autoexame deixou de ser recomendado por não ser capaz de identificar lesões pré-malignas e tumores muito pequenos. No entanto, é importante a mulher conhecer suas mamas e estar atenta a alterações suspeitas. A mamografia é o exame recomendado e deve ser realizada anualmente a partir dos 40 anos.
Sabemos que existem casos em que a doença se manifesta de maneira silenciosa. Entretanto, quando há sintomas, quais seriam?
Os principais sinais e sintomas do câncer mamário são: nódulo (caroço) indolor na mama ou axila, vermelhidão ou retração da pele da mama, alterações no mamilo e saída espontânea de líquido de um dos mamilos.
Diante de um diagnóstico, a cirurgia é sempre a principal opção de tratamento da doença? E quando falamos em quimioterapia, já é possível minimizar os efeitos colaterais?
No câncer de mama localizado, a cirurgia é uma modalidade de tratamento sempre indicada, podendo ser combinada com radioterapia, quimioterapia e outras terapias medicamentosas. Atualmente, a quimioterapia é um tratamento mais bem tolerado. Temos disponíveis medicações que previnem náuseas e vômitos, reduzem o risco de imunidade baixa (neutropenia) e infecção, além da touca hipotérmica, que pode minimizar a queda de cabelo.
O câncer de mama também pode acometer homens? Qual alerta podemos deixar aqui?
Apenas 1% do total de casos de câncer de mama acomete os homens. Geralmente aparece após os 60 anos e é mais frequente quando existem muitos casos de câncer de mama e ovário na família. É importante que o homem preste atenção ao seu corpo e que, ao primeiro sinal de um caroço na mama e alterações no mamilo, também procure um mastologista.

